Profissão de Fé - São Basílio

Profissão de fé
Escrita por
São Basílio
Bispo de Cesaréia da Capadócia entre 370 e 379,

Quando conheci, por graça do bom Deus, a obrigação que me impunha vossa piedade, aliás bem conforme ao amor1 de Deus no Cristo, de vos fazer por escrito uma profissão da santa fé, inicialmente pensei em minha pequenez e fraqueza, hesitando em corresponder a vosso pedido. Mas lembrando-me das palavras do Apóstolo: "sustentai-vos mutuamente na caridade" e: "é crendo no coração que se obtém a justiça e professando em palavras que se obtém a salvação", julguei perigoso resistir-vos e calar minha profissão de fé. Pus então minha confiança em Deus, segundo a palavra: "não que sejamos capazes por nós mesmos de conceber alguma coisa como procedente de nós, mas nossa capacidade vem de Deus". Ele nos fez capazes — e per causa de vós — de sermos ministros da Nova Aliança, "não da letra, mas do espírito2".

Ora, bem o sabeis, é próprio do ministro guardar íntegro e intato o depósito que lhe confiou o bom Mestre, em favor de seus companheiros. Por conseguinte, o que aprendi da Escritura inspirada devo igualmente comunicar-vos, procurando atender a vossas necessidades e agradar a Deus. Entretanto, se o próprio Senhor, em quem o Pai pôs seu agrade, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência, e que, após ter recebido do Pai todo poder3 e julgamento, afirma: "Ele me prescreveu o que devo dizer e ensinar", e também: "o Espírito não fala de si mesmo, mas diz o que ouviu", com muito mais razão devo eu pensar e agir em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

Durante longo tempo4 em que precisei combater as heresias, à medida que brotavam — o que fazia seguindo o exemplo de meus predecessores — achei preferível adaptar-me ao desvio provocado pelo demônio e usar, para reprimir eu confundir as blasfêmias proferidas, expressões correspondentes a elas, ora umas, ora outras, segundo as necessidades dos fracos, e às vezes mesmo expressões que não eram bíblicas, embora não estranhas ao sentido correto das Escrituras.

Mas agora, para atingir nosso objetivo presente, o meu e o vosso, achei conveniente ficar na simplicidade da pura fé, e dizer-vos — cedendo à vossa exigência no Cristo — o que aprendi da Escritura divinamente inspirada. Evitarei, pois, termos e palavras que não estiverem literalmente na Escritura, ainda que exprimissem o mesmo pensamento dela. O que for alheio à letra e ainda contiver um sentido diverso do que se acha na pregação dos santos, afastaremos totalmente come estranho e incompatível com a sadia fé.

A fé é, pois, um assentimento dado sem reserva ao que se ouve dizer, na convicção de ser verdadeiro tudo o que foi proclamado na graça de Cristo.

Abraão a possuía, segundo está atestado: "ele não hesitou em sua fé, mas manteve-se firme nela e deu graças a Deus, persuadido de que é poderoso para cumprir o que prometeu". Se, pois, o Senhor é digno de fé em suas palavras, se todos os mandamentos são seguros, confirmados nos séculos dos séculos, realizados na verdade5 e na justiça, é manifestamente uma fraqueza da fé e prova de orgulho rejeitar qualquer ponto do que está escrito, ou introduzir o que não está. Com efeito, nosso Senhor disse: "minhas ovelhas conhecem minha voz" (João 10:27), e o disse depois de ter afirmado: "elas não seguem ao estranho, mas dele fogem pois não conhecem a voz do estranho" (João 10:5). E o Apóstolo, estabelecendo confronto com as coisas humanas, proíbe o acréscimo às Escrituras inspiradas, dizendo: "quando um testamento está em forma boa e conveniente, ninguém deve anulá-lo ou acrescentar-lhe algo".

Resolvemos, pois, evitar sempre, e sobretudo agora, qualquer expressão ou pensamento alheies ao ensino do Senhor, porque nosso objetivo, o vosso e o meu, difere muito dessas proposições sobre as quais fui levado a falar ora de um modo, ora de outro. O que importava então, com efeito, era refutar uma heresia ou anular os artifícios do demônio, ao passo que no momento se trata apenas de confessar a verdadeira fé e pô-la em evidência. Não podemos então, falar agora nos mesmos termos. Ninguém se utilizaria dos mesmos meios para cultivar o solo e para ir à guerra, uns sendo instrumentos de trabalho e outros armas de combate. Ninguém usaria a mesma linguagem, com a qual refuta os adversários, para a exortação na sã doutrina. Um é o modo de persuadir, outro o de exortar; uma a simplicidade de professar em paz e piedade, outra a dificuldade de resistir a uma doutrina enganadora.
Assim, usando de discernimento, empregaremos as expressões úteis à manutenção e edificação da fé.

Mas antes de vir a minha profissão de fé, será preciso deixar bem claro não me ser possível exprimir pela palavra nem captar pela inteligência a grandeza e a glória de Deus, nem designá-la ou concebê-la numa só palavra ou num só pensamento.

É por uma multidão de palavras, adaptadas a nosso uso, que a Escritura inspirada mal a esboça, como através de um espelho, para aqueles que têm um coração puro. O conhecimento6 face a face e perfeito será concedido, conforme a promessa, apenas no século vindouro para os que forem dignos. No tempo presente, seja Paulo ou seja Pedro, dizemos que ele vê realmente o que vê e não se engana nem se ilude, mas vê através de um espelho e confusamente. Aceitando com gratidão o conhecimento imperfeito, aguarda na alegria o conhecimento perfeito. O apóstolo Paulo atesta isso quando introduz sua afirmação por estas palavras: "quando eu era menino,7 falava como menino, pensava como menino; agora que sou homem8 libertei-me das coisas de minha meninice" (I Coríntios 13:11) e tais foram meu progresso e meu avanço na ciência das coisas de Deus, que minha instrução no culto judaico corresponde à atividade9 intelectual do menino, enquanto meu conhecimento no Evangelho convém antes ao homem adulto.

Da mesma forma, se ao conhecimento que será revelado no século vindouro aos dignos se compara o que agora se julga ser o conhecimento perfeito, este parecerá curto e indistinto e tão mais distante da caridade futura quanto é distante da visão face a face a que se tem através do espelho.

Não será menor a superioridade do conhecimento futuro em relação ao desta vida: demonstram-no os discípulos do Senhor, com Paulo e João. Quando eles pareceram dignos de ser chamados pelo Senhor para viver em sua companhia, ser por ele enviados em missão e receber os carismas espirituais, então aconteceu que depois de lhe ter dito: "a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus"(Mateus 13:11), depois de lhes ter sido outorgado tal conhecimento daquilo que a outros era ocultado, ainda ao aproximar-se a paixão, ouviram do Senhor as palavras: "tenho muitas coisas a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora" (João 16:12).

Resulta deste e de outros semelhantes textos que não se termina jamais de perscrutar a Escritura inspirada e é impossível penetrar nos mistérios divinos, ficando sempre à frente um progresso a se fazer, de sorte que a perfeição dista de nós até o momento em que "o perfeito aparece, quando o imperfeito for abolido".

Eis porque não nos podemos contentar com uma só palavra para designar simultaneamente todas as glórias de Deus, e nenhuma palavra pode ser empregada sem risco, em seu sentido integral. Assim, se alguém diz: "Deus", não está indicando o "Pai", e se diz "Pai", ainda não está indicando: "Criador", precisando acrescentar depois: "Bondade", "Sabedoria", "Poder" e todos os demais atributos mencionados na Sagrada Escritura. Prosseguindo: a palavra "Pai", se a empregamos para Deus absolutamente no mesmo sentido que tem entre nós, estaremos faltando ao respeito, pois ela envolve a paixão, o sêmen, a ignorância,10 a fraqueza e todas as outras coisas desse gênero. O mesmo se dirá da palavra "Criador": nós, para criarmos alguma coisa, precisamos de tempo, de materiais, de instrumentos, de auxílios, e tudo isso é o que temos de expurgar ao máximo da idéia de Deus.

Se todas as inteligências se reunissem para compreendê-lo e todas as línguas se juntassem para proclamá-lo, ainda assim nada se conseguiria de condigno. Salomão, o sábio, expõe esse pensamento com toda clareza: "eu disse: tornar-me-ei sábio; eis que a sabedoria se retirou longe de mim, mais ainda do que já estava" (Eclesiastes 7), não que fugisse, mas porque ela aparece mais incompreensível aos que Deus faz conhecê-la melhor. A Sagrada Escritura deve, assim, servir-se de vários termos ou expressões para nos dar uma idéia, ao menos parcial e confusa da glória de Deus.

Nós cremos, pois, e confessamos nossa fé no único Deus verdadeiro e bom, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas, Deus e Pai de nosso Deus e Senhor Jesus Cristo; no único Filho do Pai, nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, único verdadeiro, por quem tudo foi feito, tanto as coisas visíveis como as invisíveis, e em quem tudo subsiste; que estava no princípio junto de Deus e era Deus, e em seguida, conforme as Escrituras, apareceu sobre a terra e habitou com os homens, que sendo de condição divina não reteve avidamente sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo, per seu nascimento da Virgem, a condição de servo e manifestando-se sob o aspecto de homem, quando então cumpria, segundo a ordem do Pai, tudo o que estava escrito dele e sobre ele, tornando-se obediente até a morte11, e morte de cruz; ressuscitando dentre os mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras, mostrou-se aos santos apóstolos e a outros, como está escrito; subiu aos céus e está assentado à direita do Pai, de onde voltará, no fim dos tempos, para ressuscitar todos os homens e dar a cada um a retribuição de seus atos, indo os justos para a vida eterna e o Reino celeste, enquanto os pecadores serão condenados ao eterno castigo, lá onde o verme não morre e o fogo não se extingue. Creio igualmente no único Espírito Santo, o Paráclito12, cujo selo recebemos para o dia da redenção; Espírito de verdade, Espírito de adoção, no qual clamamos Abba, Pai; que distribui e opera os dons de Deus em cada um conforme convém, conforme lhe apraz; que ensina e sugere tudo o que ouviu do Filho; que é bom, guiando cada um em toda a verdade e fortificando os fiéis na fé segura, na confissão exata, no culto santo e na adoração em espírito e verdade, de Deus Pai, de seu Filho único, nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, e dele mesmo.

O nome dado a cada um indica claramente um atributo que lhe é próprio e, de cada um se predicam, com toda piedade, diversas propriedades particulares. O Pai existe em seu caráter próprio de Pai, o Filho em seu caráter próprio de Filho e o Espírito Santo em seu caráter pessoal, mas nem o Espírito Santo fala por si mesmo, nem o Filho faz algo per si mesmo; o Pai enviou o Filho e o Filho enviou o Espírito Santo.

Assim pensamos e assim nos batizamos na Trindade consubstanciai, segundo a ordem do Senhor Jesus Cristo: "Ide, ensinai todas as nações, batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, fazendo-as observar todos os mandamentos que vos dei" (Mateus 28:19-20). É “observando esses mandamentos que lhe manifestamos nosso amor" e merecemos nele permanecer, como está escrito; se não os observamos, manifestamos o contrário, pois: "aquele que não ama, diz o Senhor, não guarda meus mandamentos" (I João 2:4)e ainda: "aquele que tem meus mandamentos e os guarda, esse me ama" (João 14:21).

Admira-me grandemente ouvir palavras como a do Senhor: "não vos alegreis por expulsardes os demônios, mas porque vossos nomes estão escritos no céu" (Lucas 10:20), e ainda: "nisso reconhecerão serdes meus discípulos: se vos amardes uns aos outros" (João 13:35). Donde, o Apóstolo, para mostrar a necessidade da caridade em tudo, acrescenta este testemunho: "ainda que eu fale todas as línguas, dos homens e dos anjos, se não tiver a caridade, serei como um bronze que soa e como um címbalo que retine; se tiver o dom da profecia e conhecer todos os mistérios e ciências, se tiver uma fé tal que transporte montanhas, se não tiver a caridade, nada serei" (1 Coríntios 13). E pouco depois: "as profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência se extinguira" (1 Coríntios 13:8); "atualmente três coisas permanecem: a fé, a esperança e a caridade, mas a maior das três é a caridade"(1 Coríntios 13:13). Ora, admira-me ouvir tantas declarações (e ainda outras semelhantes) do Senhor e do Apóstolo, e no entanto ver os homens mostrar solicitude e inclinação pelas coisas perecíveis, não se preocupando pelas que permanecem e caracterizam o cristão; ver até os homens oporem-se aos que as procuram, dando cumprimento à palavra: "eles não entrarão nem deixarão os outros entrarem".

Eis por que vos peço que ponhais fim a toda pretensão supérflua e a todo palavreado importuno, que vos contenteis com as palavras do Senhor e dos santos, e tenhais pensamentos dignos de vossa vocação celeste, a fim de levardes uma vida digna do Evangelho de Cristo e do reino do céu, preparado para todos os que guardam os mandamentos de Deus Pai, segundo o Evangelho de Jesus Cristo, Deus e Senhor nosso, no Espírito de santidade13 e de verdade.

Ante a insistência de vossa piedade, temos crido necessário e oportuno repetir tudo isso e manifestar claramente nosso pensamento a vós todos e, por vós, aos nossos irmãos no Cristo, a fim de vos dar uma garantia plena no nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Não deve ocorrer, com efeito, que o espírito de alguns seja levado à dúvida por causa do que poderíamos ter dito diversamente ou em outros termos, sempre na medida em que estávamos obrigados a refutar os argumentos alegados pelos adversários da verdade; ou por causa das atribuições de erros, que nos fazem os que nos atribuem suas próprias fraquezas, no intento de seduzir os simples. Dessa gente deveis acautelar-vos, como gente estranha à fé evangélica e apostólica, e também à caridade, lembrados da palavra do Apóstolo: "se alguém, dentre nós mesmos ou até um anjo do céu, vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, seja anátema" (Gálatas 1:9). Lembrai-vos igualmente da palavra: "guardai-vos dos falsos profetas" (Mateus 7:5) e desta outra: "mantende-vos à distância de todo irmão que vive de modo irregular e não seguindo a tradição recebida de nós". Conformai-vos à regra dos antigos, pois estais "edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, com nosso Senhor Jesus Cristo como pedra angular, ele, em quem o edifício, perfeitamente coordenado, se eleva para formar um templo santo no Senhor.

"Que o Deus de paz vos santifique totalmente. Que todo o vosso ser: espírito, alma e corpo sejam conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Deus, que vos chama, é fiel e tudo aperfeiçoará".

Julgando ter-vos exposto com suficiente clareza o que diz respeito à verdadeira fé, vamos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, apressar-nos a cumprir a promessa no tocante à moral. Tudo o que, até agora, encontramos proibido eu aprovado no correr do Novo Testamento, esforçar-nos-emos por condensar em regras sumárias para o fácil entendimento de todos, notando para cada regra o número dos capitules correspondentes da Escritura, seja do Evangelho, seja do Apóstolo, seja dos Atos, a fim de que o leitor de cada regra, percebendo per acaso o número inscrito ao lado, procure pessoalmente a Escritura e encontre o texto sobre o qual está baseada a regra escrita.

Dentro da verdade, teria gostado de colocar também ao lado as referências correspondentes ao Antigo Testamento, mas premido pela necessidade — pois os irmãos me urgem o cumprimento de uma velha promessa — lembrei-me do que foi dite: "Dai ocasião ao sábio e ele será mais sábio". Assim, cada qual terá uma boa ocasião de ir ao Antigo Testamento e certificar-se por si mesmo da concordância dos textos da Escritura inspirada, mesmo se, para aqueles que têm fé e estão convencidos da verdade das palavras do Senhor, uma só dentre elas já bastasse. Eis por que também pensamos não ser necessário, mesmo para o Novo Testamento, citar todos os textos, mas apenas alguns.
 __________
1 agape ou Eros (grego)
2 pneuma (grego)
3 dynamis (grego)
4 aion (grego)
5 aletheia (grego)
6 gnosis (grego)
7 recém-instruído com os primeiros elementos dos oráculos divinos (N.do autor)
8 e me apresso a chegar à estatura da plenitude de Cristo (N.do autor)
9 energeia (grego)
10 agnoia (grego)
11 thanatos (grego)
12 advogado, em grego (N. Editor)
13 hagiasmos (grego)

São Basílio (329 - 379) foi teólogo escritor cristão do século IV e é um dos padres capadócios e Doutor da Igreja. nasceu em Cesareia (atual Kayseri), capital da Capadócia, Ásia Menor , na hoje Turquia; no seio de uma família profundamente cristã. Seu pai era Basílio, o Velho, e sua mãe, Emília de Cesareia. Estudou em Constantinopla e Atenas. Entre seus nove irmãos figuraram: Gregório de Nissa, Macrina (uma heroína da fé), a Jovem e Pedro de Sebaste, todos canonizados pela Igreja (Católica Romana). É também neto de Macrina Maior. Como seus colegas de estudo teve o futuro imperador apóstata, Juliano, e Gregório Nazianzeno,
Basílio retornou a Cesareia , sendo batizado e se determinando a seguir a pobreza evangélica. Visitou e estudou em mosteiros do Egito, Palestina, Síria e Mesopotâmia. Em seguida morou em uma estalagem na região do Ponto, perto do rio Íris, entregando-se a uma vida solitária de oração e estudo, e formando o primeiro mosteiro da Ásia Menor.

Basílio foi ordenado diácono e sacerdote em Cesareia em 363, mas se retirou para o Ponto para evitar conflitos com o arcebispo Eusébio. Em 365, seu amigo Gregório de Nanzianzo retirou Basílio de seu retiro, e em 370, quando o arcebispo Eusébio morreu, deixando vaga a sede arcebispal, Basílio foi eleito para ocupá-la. Com a morte de Santo Anastácio, pouco depois, Basílio passou a ser o último defensor da ortodoxia no oriente, contra o arianismo, morrendo em 1 de janeiro de 379, aos 49 anos.

Dedicou as suas maiores energias a defender a doutrina da consustancialidade do Verbo, definida solenemente no Primeiro Concílio de Niceia (325). Por este motivo sofreu muitos ataques dirigidos pelos arianos e pelas autoridades imperiais, que queria, impor a doutrina de Ário. Junto com São Gregório de Nazianzo e São Gregório de Nissa, contribuiu de maneira decisiva na tarefa de precisão conceptual dos termos com os quais a Igreja viria a expor o dogma trinitário, preparando, desta maneira, o Primeiro Concílio de Constantinopla (381), que enunciou de forma definitiva a doutrina sobre a Santíssima Trindade.

Felicidade na Dor

Por Pr. Samuel Balbino

É possível estar feliz em meio a tristeza? A grande maioria irá responder que não. No entanto, existe um paradoxo santo entre a opinião humana e a divina. A Bíblia nos encoraja em diversos textos a estar alegres mesmo quando confrontados com uma situação de tristeza.

Não vamos confundir a alegria com um estado emocional onde percebe-se alguém sorrindo o tempo todo. Muitas vezes uma pessoa alegre não está sorrindo. Daí alguns questionam: Então como saber se ela está feliz? Pela paz que ela sente. Alegria de verdade não consiste meramente em sorrir constantemente (milhares de pessoas sorriem quando na verdade queriam chorar). A verdadeira alegria consiste numa paz que inunda a alma mesmo nos momentos difíceis. Esta paz é fruto da confiança no Deus soberano que controla e rege todo o universo como lhe apraz. Não é possível sentir tal coisa quando não cremos que temos alguém que cuida e zela por nós com tanto cuidado. O sorriso é meramente um sinal externo que pode vir ou não.
Aqueles que se sentem protegidos e confiam naquele que os chamou e salvou sabem que mesmo durante os momentos mais difíceis ele está presente. Na verdade até mesmo esses momentos são prova de sua presença e atuação, pois se somos afligidos é para nosso próprio bem, e se tudo está tranquilo, também é para nosso bem e conforto, porque em ambas as situações ele é glorificado.

Devemos estar alegres em qualquer situação: Seja comemorando pelas bênçãos derramadas sobre nós, ou pela expectativa de que a qualquer momento o Senhor efetuará livramentos e socorro de toda e qualquer angústia para que no final louvemos o seu Nome por sua infinita misericórdia!

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque  3.17,18).

Nossa vida, Nosso tempo

Por Pr. Samuel Balbino

Após um bom tempo sem postar nada (um bom tempo por sinal). Hoje, em casa de repouso devido problemas de saúde, me senti compelido a escrever uma pequena reflexão baseando-se em coisas que tenho notado em minha própria vida. Creio que não é possível transmitir um conselho algúem se nós mesmos não o  tivermos seguido antes. Assim, de nada valeria estas palavras se eu mesmo não as tiver provado. O que escrevo a seguir é uma exortação primeiramente a mim.

O nosso mundo corrido pode se tornar um grande vilão para nossa vida espiritual. Isso porque geralmente somos tentados a devotar a maior parte do nosso tempo aos nossos próprios afazeres e nos esquecemos de dedicar um minuto que seja para orar, ler a Bíblia, enfim mantermos nossa comunhão com o Divino sempre viva e radiante. Quantos de nós perdemos preciosas oportunidades de ouvirmos a voz de Deus na oração e devoção porque estamos muito ocupados com os negócios dessa vida? Falo como um dos que precisam dessas duras palavras, pois foi necessário o acometimento de uma enfermidade para que eu pudesse parar no tempo e avaliar que rumo estava dando a minha vida. Algumas vezes Deus age dessa forma para nos chamar atenção.

Quando olhamos fixamente para este mundo temporal automaticamente retiramos os olhos do mundo porvir. Por um instante esquecemos que somos filhos de um Deus, que temos obrigações a cumprir para com ele. Misericordiosamente o Senhor nos conclama a voltar e persistir no caminho do qual brevemente nos desviamos. Não podemos esquecer que tudo o que fazemos aqui, como trabalho, estudos e sucesso, todas estas coisas um dia não irião siginificar mais nada. Não levaremos isso ao porvir. Portanto, empregar toda a nossa disposição e energia nessas coisas constitui uma tremenda perda de tempo e um desgaste que só prejudicará a nós mesmos. Salomão diz:

 "Melhor é a mão cheia com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho, e aflição de espírito." (Eclesiastes 4.6)

Se paramos e pensarmos um pouco veremos não vale a pena nos afligirmos tanto em busca do que é passageiro e terreno. É isso que o apóstolo S. Paulo quis dizer quando escreve: 

"Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas. "(2ª Coríntios 4.18). 

Não significa que não devamos trabalhar, estudar, buscar ter o melhor nesse mundo, e sim que não devamos tornar essas coisas o foco e o objetivo central das nossas vidas, mas antes precisamos valorizar e priorizar o Reino de Deus e as coisas concernentes a ele. "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6.33).

Sola Gratia

Por Elenice Rabelo

"A graça gratuita reivindica expressão na Igreja Contemporânea. Decisões humanas, manipulação das multidões e convites para vir a frente não produzem conversões genuínas. Somente o Evangelho da graça soberana pode capturar e transformar pecadores pelo poder da Palavra e do Espírito Santo de Deus". (Joel Beeke)

A graça de Deus tem sido barateada por um sistema evangélico cada vez mais humanista, desprovido da crença soberana do Senhorio de Cristo em todas as áreas de novas vidas. Se pararmos para pensar, a grande maioria das pessoas que levantam a mão e vão para frente, vai por uma emoção e acaba nem ficando na Igreja. Ouvi várias  histórias de pessoas que entram e saem da Igrejas muitas vezes durante a sua caminhada espiritual.

Isso tudo é fruto de uma centralização do homem na salvação. Ele por si mesmo, sem ação do Espirito Santo, não pode ficar firme. As pessoas na Igreja são incentivadas a agir por elas mesmas, sem a direção de Deus.  Quando verdadeiramente nos convertemos ao Senhor, nos permanecemos firmes até o fim. Pois o Senhor é quem nos guarda. Ele é que nos preserva. É uma aliança eterna que jamais será quebrada. A salvação que Ele nos deu, jamais se perderá. Nos somos ovelhas do Sumo Pastor e estaremos para sempre em seu rebanho.


Que Deus em Cristo, nos abençoe muito.

Por Que O Nosso Cristianismo É Tão Fraco?

Por Romario Livramento

Deus muda? Não! Deus faz acepção de pessoas? Não! Deus tem hoje menos poder do que ontem? Não! Deus ama alguns crentes mais do que outros? Não! Então porque nós cristãos de hoje temos tanta carência da presença de Deus, não o mesmo Deus que Moisés, Elias, Abraão, Paulo, João adoram que nós adoramos? Claro que sim, então porque eles tiveram grandes experiencias com Deus que nós hoje ficamos só a elogia-los e nem conseguimos experimentar o que eles experimentaram, seremos nós inferiores a eles? Não foi a mesma graça que os salvou que salvou a nós também, será que a nós de hoje não temos parte na mesma promessa que eles tiveram? O que há de errado connosco hoje? Penso que antes de passar um remédio o médico tem de fazer um diagnóstico preciso da doença que a pessoa tem, eu espero que Deus me dê sabedoria para escrever esse diagnóstico de nossa anemia espiritual:

1º Causa: Temos falhado em cumprir o propósito para qual fomos criados e salvos que é conhecer a Deus e deleitar-se nele para sempre, em João 17.3 Jesus fala o porquê que Ele veio para a terra “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”, temos de lembrar que o conceito de conhecer no hebraico é diferente do conceito grego o qual nós usamos conhecer em hebraico é usado muitas vezes para a relação sexual entre homem e mulher, e relação entre homem e mulher no casamento é o nível máximo de intimidade entre os dois, pois se tornaram uma só carne, os dois são um, é esse mesmo conceito que Jesus usa para a palavra conhecer ser um com Deus, como em um casamento atingir um nível tal de intimidade com Deus que os dois se torna um, não estou falando que vamos fazer sexo com Deus isso seria uma blasfêmia terrível, mas estou falando sentir o calor de Deus, saber distinguir a voz de Deus no meio de bilhões de vozes, conhecer o que Ele gosta o que Ele não gosta sentir os mesmo sentimentos de Deus em relação a qualquer coisa é tudo isso.

Mas temos esclarecer uma coisa aqui: uma coisa é saber sobre Deus e outra coisa é conhecer a Deus, uma ilustração clara: eu aqui posso saber muita coisa sobre o presidente dos Estados Unidos, mas se eu for à casa branca não vão me deixar entrar, pois o presidente não me conhece e nem eu conheço ele, pois nunca falei com ele, não somos grandes amigos, é a mesma coisa com Deus, você pode saber muito sobre Ele, mas não o conheces porque você não passa momentos com Ele, não são grandes amigos, não partilham coisas, não conversam, você pode estudar e saber os atributos de Deus, mas se esse conhecimento não te levou para mais perto de Deus e ter mais intimidade com ele, você nunca compreendeu nada o que você leu sobre os atributos de Deus o seu entendimento ainda contínua carnal, muitas pessoas são zelosas pela sã doutrina mas não conhecem a Deus, trabalham para quem não conhecem, se você é assim você está fazendo errado pois Jesus não veio para você ser zeloso para com a doutrina mas para conhecer a Deus e quando você o conhece automaticamente vais virar zeloso para com a doutrina.

Muitos dizem amar a Deus, mas não o conhecem pelos motivos em que descrevi acima, mas como podem amar quem não conhecem uma pessoa antes de casar com sua esposa ele tem de ama-la e antes de ama-la tem de conhecê-la para depois ama-la, com Deus é mesmo coisa para nutrir afeiçoes de amor para Ele, temos de conhecê-lo primeiro, eu sei que muitos vão dizer que para amar a Deus não precisamos de afeções, mas você sabe muito bem que não é assim, pois sabe que o que nos dá maior prazer é o nosso Deus, você provavelmente já viu uma pessoa que o dinheiro é o seu deus, você não vê como suas afeiçoes e seu prazer está no dinheiro, se ele ganha muito dinheiro ele fica muito feliz, se ele perde muito dinheiro ele fica triste e chateado, e como uma pessoa perdida no deserto anseia por águas assim ele anseia por mais dinheiro, quando Paulo falou que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males esse amor é uma afeição sim, agora não pensemos que Deus não exigiria que Ele fosse o centro de nossas afeições, amor sem afeiçoes sequer é amor e você sabe muito bem disso, se você acha que amor não envolve afeiçoes então experimenta casar com uma pessoa sem ter afeiçoes por ela, mas você pode dizer “Isso é diferente é entre homem e mulher”, sim é por isso que a bíblia usa a ilustração de noiva para igreja e noiva para Cristo para ilustrar como é nossa relação para com o nosso Senhor, você não se tornaria noivo de alguém se não tivesse afeiçoes por ela não é? Então como somos a noiva de Cristo, Ele deve ser nosso maior prazer e devemos deleitar e estarmos apaixonado por Ele e isso não é secundário é FUNDAMENTAL e OBRIGATÓRIO.

“Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo” (Jo15.11);
     
“Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fp 4.4)

“Alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando” (1Pe 4.13).


“... mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo” Daniel 11:32 (RA Strong).

Carta de Jonathan Edwards a uma jovem escrita no ano de 1741.

DIRETRIZES DE COMO CONDUZIR-SE A SI MESMO
NA CAMINHADA CRISTÃ.

Minha querida jovem amiga,

Como era do seu desejo que eu a mandasse, por escrito, algumas diretrizes em como conduzir-se a si mesma em sua caminhada cristã, agora o faço. As doces lembranças que vi em sua Igreja inspiram-me a fazer qualquer coisa que estiver ao meu alcance, contribuindo para a alegria e prosperidade espirituais do povo de Deus que ai está.

1. Aconselho-te a manter o esforço e o fervor na religião, como se estivesse em seu estado natural; procurando converter-se. Aconselhamos pessoas com convicção a serem fervorosas na seara quando já vigilantes, trabalhadoras e fervorosas na seara quando já convertidas, porém, ainda mais, pois há infinitas coisas a mais se fazer. Por ser esta uma característica que nos falta, muitas pessoas, em poucos meses de conversão, começam a perder seu doce e vivo senso das coisas espirituais crescendo geladas e em trevas, “desviando-se da fé e a si mesmos se atormentando com muitas dores” (1 Tm 6:10), enquanto se tivessem atentado às palavras do apóstolo em Filipenses 3:12-14, seus caminhos seriam como, “a luz da aurora, que vai brilhando e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18).

2. Não deixe de procurar a Deus, de jejuar e orar pelas mesmas coisas que exortamos a pessoas não convertidas a lutarem, tendo você já passado por este processo. Ore para que seus olhos estejam abertos, para receba a visão correta, conhecendo-te a ti mesma, e para seus pés descansem em Deus. Que você veja a glória de Deus, e tenha o amor de Cristo derramado em todo o teu coração. Aqueles quem tem a muita destas coisas, ainda assim precisam orar por elas, pois ainda há tanta cegueira, dificuldade, orgulho e corrupção, que necessitam ter o trabalho de Deus sobre eles a fim de receber luz e vida, sendo trazidos da escuridão para a maravilhosa luz de Deus, recebendo como que uma nova conversão e ressurreição dos mortos. Há poucos deveres convenientes a um não convertido que também não o são, de certa maneira, para o povo de Deus.

3. Quando ouvir a um sermão, ouça por si mesma. Mesmo que provavelmente o que está sendo pregado seja para não convertidos ou para aqueles que, de outras maneiras, estão em diferentes circunstâncias que você. Assim, deixe com que a principal intenção de sua mente seja a ponderação; em quais aspectos isto é aplicável a mim? E em que posso melhorar para o próprio bem de minha alma?

4. Apesar de Deus ter perdoado e esquecido seus pecados, não os esqueça: lembre-se sempre deles, de como era uma escrava sem esperança na terra do Egito. Traga à memoria suas ações de pecado antes de sua conversão, assim como o apóstolo Paulo está sempre mencionando sua antiga atitude de blasfêmia, em que perseguia o Espírito e maltratava o povo de Deus, humilhando seu coração, dizendo ser “o menor dos apóstolos”, indigno de “ser chamado apóstolo”, “menor dos santos” e “o maior dos apóstolos”. Confesse sempre seus pecados a Deus e deixe com que este texto esteja sempre em sua mente: “para que te lembre-se e te envergonhes, e nunca mais fale a tua boca soberbamente, por causa do teu opróbrio, quando eu te houver perdoado tudo quanto fizeste, diz Senhor Deus”. (Ez 16.63)

5. Lembre-se que você tem mais motivos para lamentar-se e humilhar-se por seus pecados agora, a partir de sua conversão, do que antes dela.

6. Esteja sempre vigilante para com seu contínuo pecado e não pense que você se preocupa muito com ele. Ainda sim, não esteja desencorajada nem permita que ele anule seu coração, pois, apesar de sermos exageradamente pecadores, temos um Advogado com o Pai, a saber, Jesus Cristo, o Santo. O sangue cuja preciosidade, o mérito cuja retidão, a grandeza cujo amor e fé infinitamente sobrepujam as mais altas montanhas de nossos pecados!

7. Quando começar a orar ou tomar parte da Ceia do Senhor, ou participar de qualquer outra atividade de adoração, venha a Cristo como Maria Madalena fez! Venha, e coloque-se aos Seus pés, e os beije, derrame perante Ele o doce perfumado de amor oriundo de um coração puro e quebrantado, como ela derramou o perfume precioso de sua jarra de alabastro! “E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que Ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungiu com o unguento” (Lc 7: 37-38).

8. Lembre-se que orgulho é a pior víbora do coração, o grande distúrbio da paz da alma e da doce comunhão com Cristo: foi o primeiro pecado e se encontra bem baixo na fundação da obra de Satanás, sendo muito dificilmente arrancado fora, pois é o mais escondido, secreto e arruinador de todas as luxúrias, inserindo insensibilidade no meio da religião e até mesmo sob a desculpa de humildade. “O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu o aborreço”. (Pv 8.13)

9. Que você faça um correto julgamento de si mesma, sendo sempre nos outros as melhores descobertas, o melhor conforto, pois têm esses dois lados: uns te fazem menor e insignificante, como uma criança. Outros animam e consertam seu coração em uma disposição firme em negar-se a Deus, passar tempo com Ele e por Ele.

10. Se em algum momento você encontrar em dúvida sobre o estado de sua alma, em partes escuras e sem sentido, é necessário rever sua experiência passada. Mas não invista muito tempo e esforços neste caminho. Ao contrário, disponha-se com todo o seu ser procurar ardentemente uma nova experiência, nova luz, novas ações de fé e de amor. Uma nova descoberta da gloriosa face de Cristo fará mais sobre aterrorizadoras nuvens negras do que examinar experiências passadas durante um ano, sob as melhores nuances que podem dar.

11. Quando os exercícios da graça são poucos e a corrupção e o medo prevalecem, não deseje ter medo de expulsar qualquer outro caminho, exceto aquele que faz reviver e prevalecer o amor a Deus no coração. Assim, o medo será efetivamente expulso, como a escuridão desaparece de um quarto quando os deliciosos raios de sol penetram-no.

12. Quando aconselhar e alertar as pessoas, o faça com vontade e afeição com firme convicção. Lembre-se que estará falando ao seu próximo deixando suas palavras contenham expressão de sua própria pequenez, mas também da graça soberana que te faz diferente.

13. Se você organizar encontros devocionais com jovens mulheres como você, uma vez a cada certo tempo, além de participar de outros encontros gerais, será muito proveitoso e útil.

14. Em quaisquer dificuldades, necessidades ou longos períodos de escassez, qualquer caso específico, para você ou outros, separe um dia para oração secreta e jejum. Gaste o dia, não tão somente pelas petições que faz, mas procurando seu coração olhando para sua vida, confessando seus pecados perante Deus. Não como se costuma fazer quando se ora publicamente, mas como um resumo a Deus de todos os pecados de sua vida, desde a sua infância, antes e depois da conversão, incluindo as circunstâncias e decaídas em relação a eles, apresente diante d’Ele todas as particulares abominações de seu coração da maneira mais completa possível.

15. Não permita que os adversários da cruz reprovem a verdadeira religião. Quão retamente deveriam se comportar os filhos remidos e amados filhos de Deus! Ainda, “caminhem como filhos da luz do dia”, e “adquira a doutrina de Deus seu Salvador”. E especialmente, pondere sobre as virtudes cristãs que te fazem parecida com o Cordeiro de Deus. Seja humilde e submissa de coração, pura, celestial, amando a todos. Faça atos de amor aos outros e autonegação pelos outros. Que haja em você uma disposição em pensar sobre os outros maiores do que em você mesma.

16. Na sua vida, caminhe com Deus e siga a Cristo como uma pequena, pobre e desprotegida criança tomando a mão de Cristo. Mantenha seus olhos nas marcas das feridas em Suas mãos e lado, donde veio o sangue que te purifica do pecado, escondendo sua nudez nas vestes brancas celestiais.

17. Ore frequentemente pelos ministros da Igreja de Deus, especialmente para que Ele continue seu glorioso trabalho que tem começado, até o dia da terra estar cheia de Sua glória.
__________
Revisão e Edição: Elenice Rabelo Costa.
Agradecimentos: Filipe Machado

O Culto Doméstico E Sua Importância Para a Família Cristã.

Elenice Rabelo

Numa geração onde os cristãos perdem mais tempo em vãs futilidades e esquecem de guardar tempo para cultuar o Senhor em casa e na Igreja. O culto doméstico se faz de total importância para congregar toda a família em um momento de adoração com o Senhor Jesus. Momento pelo qual busca-se intima comunhão com o Senhor juntamente com a família. O Dr. Joel Beeke disse em seu livro Adoração no Lar, pag.20: "Dada a importância do culto doméstico como uma força poderosa para conquistar incontáveis milhões à verdade do evangelho ao longo dos tempos, não devemos nos surpreender com o fato de Deus exigir que os chefes de família façam tudo quanto puderem para guiar suas famílias na adoração ao Deus vivo". 

Josué 24.14-15 diz: "Agora, pois, temei ao Senhor e servi-o com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do Eufrates e no Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor".

A família é guiada através do chefe da casa na adoração e meditação das Sagradas Escrituras. Os filhos vão crescendo no temor do Senhor. Momentos como estes não devem ser retirados do seio da verdadeira família cristã. 

Que o Senhor nos conceda misericórdia e graça para andar nos seus maravilhosos caminhos

Deus Escreve Certo por Linhas Tortas?

Por Jorge e Pb. Filipe Machado

Pergunta: "Algumas pessoas quando exortadas sobre procedimentos errados de evangelização ou explanação do evangelho fazendo que as pessoas que estejam ouvindo ou assistindo tenham um entendimento no minimo equivocado sobre a conversão, se defendem dizendo que "se Deus quiser aquela pessoa mesmo exposta a tais erros serão alcançadas"... Não estou questionando o poder de Deus, só quero saber biblicamente se realmente é possível a pessoa ser alcançada sem a correta explanação da palavra ou pode mesmo que esta explanação venha com alguns erros?"

Meu irmão, é o seguinte: Deus pode transformar o mal em bem, a exemplo da história de José, vendido por seus irmãos como escravo e que depois se tornou governante do Egito para "salvar" não somente seus irmãos mas toda a casa de Israel da destruição. O mesmo pode ocorrer quando muitos, mesmo evangelizados incorretamente, se arrependem e reconhecem Cristo como Senhor e Salvador das suas almas; pois o chamado do Senhor para aquela alma que se arrepende verdadeiramente persiste e é verdadeiro [creio que no futuro, Deus "consertará" os erros na vida daquela pessoa que foi evangelizada incorretamente, seja por algum erro doutrinário ou pelo emocionalismo/pragmatismo]. Mas o fato é que ninguém pode agir, ou melhor, levar uma falsa doutrina ou um método que não seja bíblico de evangelização sem estar em rebeldia e desobediência a Deus. Com isso, quero dizer que, mesmo Deus consertando as coisas, aquele que evangeliza errado, por culpa ou dolo, está em pecado, e será cobrado por isso. O fato dele não se aperceber do seu erro, e achar que está fazendo a "vontade de Deus" não o exime da culpa, de estar em rebelião, cometendo pecado.

Alguns dirão que o importante é levar a alma perdida ao arrependimento, ao encontro com Jesus, mas, pergunto: por que é necessário usar de doutrina e método não bíblico para isso? E o número ainda maior daqueles que acreditarão estarem salvos e, na verdade, estarão se iludindo com uma salvação que não têm? O mal que a doutrina errada e o método errado de evangelização provocam é muito maior do que o suposto bem que eles trazem. O Senhor Jesus ao dizer que muitos se aproximariam dele argumentando: em teu nome fizemos isso, em teu nome fizemos aquilo, etc, se referia também a esse problema. E a resposta do Senhor é clara: apartai-vos, vós que praticais a iniquidade. Pois muitos creem servi-lo, quando não o servem; e a ignorância não é desculpa para o engano, e para enganarem também.

Paulo nos diz que muitos pregam o Evangelho dolosamente, mas importa que o Evangelho seja pregado. Deus poderá se utilizar de toda a obra humana para fazer o bem aos eleitos, mas isso não tirará a culpa nem a condenação daqueles que agiram assim contra a sua vontade. Também percebemos que Paulo não está dizendo que não importa sobre o que se pregue do evangelho, mas sim sobre que "não importa o motivo", isto é, ainda que uns preguem a sã doutrina, mas a façam pelo orgulho, Paulo diz que o importante é que o evangelho esteja sendo pregado - pois estava preso e não podia pregar.

Se tomarmos essa ideia de que Deus escreve certo por linhas tortas, o foco deixa de ser a alma evangelizada para ser a alma que evangelizou de forma errada. Deus consertou o erro salvando a pessoa mal-evangelizada, pois a salvação procede dele, mas quem agiu erradamente será cobrado, e muitos ouvirão do Senhor: apartai-vos de mim, pois não vos conheço!

Não podemos misturar as coisas, pois Deus quer primeiramente a nossa obediência, e sabemos que os frutos que produzimos somente os produzimos pelo poder de Deus. Com isso, quero dizer que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Através de uma mensagem pregada erradamente, Deus pode salvar, mas quem pregou erradamente será responsabilizado por não obedecer nem cumprir os preceitos divinos, e por levar um número muito maior de pessoas a suporem-se salvos quando estão condenados. Deus pode usar o erro para que o bem seja feito, mas o erro sempre trará consequências danosas para as almas daqueles que creem nele, e persistem nele. Por isso, somos constantemente exortados pela Escritura a não errar, e a nos afastar do erro, que nada mais é do que o pecado contra Deus.

Por último, é também necessário notarmos que Deus não fica "consertando" os erros dos homens, como se os homens fizessem coisas sem a autorização de Deus. O que ocorre é que Deus decreta o mal aos homens; em seus eleitos o mal serve para instruir e levar-os ao pleno conhecimento da verdade, e aos ímpios para levá-los à perdição.

Cristo o abençoe!
__________

Qual a sua postura nos debates teológicos?

Por Elenice Rabelo

No começo quando eu conheci a Teologia Reformada vivia uma verdadeira insanidade nos debates. Eu era uma caçadora de arminianos e muitas vezes não tinha a prudência necessária para escrever minhas opiniões e esclarecer minhas dúvidas.

Hoje me sinto diferente e mais amadurecida nos debates.  Participo dos debates até onde glorifique ao Senhor. Esclareço minhas dúvidas com os irmãos que têm mais conhecimento teológico do que eu. Procuro ser humilde e pedir a orientação de Deus para ser prudente em tudo.

Assim eu compreendo que evitamos contendas desnecessárias e glorificamos a Deus. No começo não é muito fácil. Nos jovens somos meio impetuosos e temos atitudes impensadas mais o fundamental de tudo é entendermos que não estamos sozinhos.

Deus está ao nosso lado para nos ajudar em tudo.

As Sagradas Escrituras nos oferecem orientação para tudo em nossas vidas.
A Biblia nos adverte:

"O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução." [Pv 1:7]

"Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento" [Pv 3:5]

"Entendei, ó simples, a prudência; e vós, insensatos, entendei de coração." [Pv 8:5]

"São justas todas as palavras da minha boca: não há nelas nenhuma coisa tortuosa nem pervertida." [Pv 8:7-8]